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Postado em 28 de setembro de 2016 Por Em Life Style E 636 Visualizações

Pokemon Go

Entre interação e dispersão, veja prós e contras segundo psicoterapeuta

Desde que foi lançado no Brasil, o jogo de captura de “monstrinhos” tornou-se o “centro das atenções” no cotidiano das pessoas e na web; psicoterapeuta analisa o impacto desse fenômeno nas relações interpessoais.

Sucesso de público em todo o mundo, o Pokémon Go foi liberado para ser baixado no Brasil em 3 de agosto e, desde então, o jogo tem atraído milhões de fãs no país, um público diverso e variado disposto a caçar e capturar “monstrinhos”, virtualmente instalados em vários pontos das cidades. Esse game mescla realidade e mundo virtual, mas até que ponto ele pode ser benéfico para as pessoas? Primeiramente, a psicoterapeuta Maura de Albanesi cita uma vantagem: forçar as pessoas a se movimentarem: “Não deixa de ser uma forma de entretenimento que ‘obriga’ o indivíduo, seja criança ou adulto, a se mexer, ir a lugares e não ficar parado em uma sala ou ambiente focado em um jogo por horas e horas, como acontece muitas vezes com os videogames tradicionais. Esse game estabelece uma certa interação com meio e até com algumas pessoas”, afirma.

Uma reportagem recente da BBC, por exemplo, citou o caso do jovem autista britânico Adam Barkworth que não se sentia à vontade em frequentar lugares públicos, mas por causa do Pokémon Go, ele passou a sair de casa e até interagir mais com os pais. A mãe do rapaz afirmou à reportagem que os laços familiares foram fortalecidos. O jogo foi lançado em julho no Reino Unido e toda a Europa.

Existe interação?

Para Maura, através do jogo, embora exista algum tipo de interação entre as pessoas, na prática, essa interação é mais latente entre o indivíduo e a máquina. “Se compararmos a uma partida de futebol, seria como se cada um estivesse com a sua própria bola. Além desta individualidade, o indivíduo se desliga do meio externo e de tudo ao redor. Por isso temos esses acidentes registrados recentemente, com pessoas que se machucaram ou foram assaltadas, enquanto estavam jogando, imersas nesse contexto”, afirma. O lado negativo quanto ao uso do game é observado justamente pelo fato de promover essa dispersão, porque, enquanto joga, a pessoa não vai notar detalhes e fatos externos.

Maura ainda ressalta que a comunicação digital é mais propícia à desatenção do que uma conversa real. Como exemplo, cita a situação em que a pessoa esteja dirigindo e conversando com alguém ao seu lado no carro. Neste caso, é possível prestar a atenção em tudo o que acontece ao redor e fazer outras coisas, porque as duas pessoas fazem parte de um mesmo ambiente. “Mas se ela está falando com outra pessoa pela internet, a situação é outra, porque ela se desliga de tudo o que ocorre na realidade. Essa pessoa sequer nota o que se passa lá fora”, afirma.

Nosso potencial de comunicação entregue à máquina

Segundo a psicoterapeuta, como no mundo virtual, a pessoa se conecta a outra realidade, toda a energia e potencial de comunicação dela é liberada para a máquina. “Não existe troca de vibrações, como ocorre quando estamos diante de uma pessoa, onde recebemos e emitimos energias. Nem percebemos o quanto nos dedicamos emocionalmente e mentalmente a essas máquinas “, destaca. Maura cita que quando a pessoa está conectada a jogos, redes sociais e internet, é como se ela apagasse da tela mental todos os estímulos externos.

“O jogo veio nos mostrar que até para nos divertimos dependemos da internet. Não podemos negar que estamos numa era digital. O mundo hoje é virtual e mantemos relações com as pessoas dessa forma. A internet dá sensação de preenchimento e quando a pessoa fica sem, ela se sente ‘vazia’, como se não pertencesse a esse mundo. Mas, talvez, seja preciso dosar essa dedicação à web e viver um pouco mais a realidade”, afirma.

Limites: como os pais devem agir?

Um dos grandes desafios dos pais atualmente é lidar com os limites quanto ao uso da internet, por parte dos filhos. E muitas vezes, proibir os pequenos de jogar games como o Pokémon Go pode interferir até na sociabilização deles, já que os demais amiguinhos estão inseridos nesse contexto, e dessa maneira, a criança pode se sentir um “peixe fora d´água”. Por isso, a especialista orienta não proibir o uso do game, mas impor limites quanto ao tempo de utilização.

“É importante estabelecer um período e frequência de uso diário, me refiro não apenas  aplicar essa regra às crianças, mas para os adultos também. De maneira geral, se você passa o dia inteiro conectado, você deixa de viver a realidade e fazer atividades que fazem bem e são essenciais à saúde, ao corpo e à mente”, define.

Fonte: Maura de Albanesi é mestre em Psicologia e Religião pela PUCSP, Pós-Graduada em Psicoterapia Corporal, Terapia de Vivências Passadas (TVP), Terapia Artística, Psicoterapia Transpessoal e Formação Biográfica Antroposófica, atua com o ser humano há mais de 30 anos. Site: http://mauradealbanesi.com.br